quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Uma solução justa para a Avaliação: Paulo Guinote na TSF


«À TSF, o blogger explicou que houve uma tentativa de chegar a um consenso, mas alertou para o modo com o 1ºciclo do modelo de avaliação está a terminar «porque as soluções em todo o país em relação à avaliação de quem entregou ou não objectivos individuais».

«Alguns directores não têm permitido a entrega dessa auto-avaliação dos professores, que era a primeira fase da avaliação que estava no estatuto de carreira docente, e se a lei é para cumprir, esse direito não lhes devia ser negado», acrescentou.

Perante este panorama, Paulo Guinote diz que só há uma solução justa: «será integrar quem está a ser deixado de fora e não tirar direitos a quem os quis assim ter».

Depois de resolvida a questão da avaliação dos docentes e da carreira há muito a fazer pela educação em Portugal. O professor e blogger aposta numa prioridade «reorganização curricular e dos programas das várias disciplinas».»


Ouça aqui a entrevista de Paulo Guinote

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Eleven - 5 anos










Chama-se Eleven porque tem 11 sócios e foi inaugurado no dia 11 do mês 11 de 2004. Faz hoje portanto 5 anos.

Para completar o simbolismo, o Eleven oferece durante o mês de Novembro como presente de aniversário 11% de desconto nos jantares a todos os seus clientes.

Parabéns ao chefe Joachim Koerper e à sua equipa de cozinheiros que proporcionam uma requintada experiência gastronómica num dos mais belos cenários lisboetas!


Localização:Rua Marquês da Fronteira Jardim Amália Rodrigues - 1070 Lisboa
Telefone 213862211
Site: http://www.restauranteleven.com/

Preço médio: de 25 a 65 euros, conforme o número de pratos do menú, incluindo os vinhos.
Na semana Lisbon Restaurant Week consegue-se almoçar por 20 euros.
Aberto das 12h30 às 15h e 19h30 às 23h; encerra aos domingos, segundas e feriados.

Fotos de Pérola de Cultura no Parque Eduardo VII em Lisboa

"No dia de S. Martinho, assa as castanhas e prova o vinho!"

















O castanheiro é das minhas árvores favoritas. Infelizmente, vivendo na cidade, raramente posso ter o privilégio de ver de perto algumas espécies de árvores de que tanto gosto, como esta.

O castanheiro é uma árvore ao mesmo tempo elegante e robusta que desde sempre exerceu em mim um fascínio que não sei bem explicar, dado que a associo às cerimónias dos druidas, envolta em brumas de climas frios e florestas encantadas.
Evoca-me o norte, a tradição, as raízes de uma cultura europeia, simultaneamente religiosa e pagã.

Comi hoje as primeiras castanhas assadas da temporada, no dia certo, mas sem água-pé. A saberem a sal e a Outono, pois claro!

Desejo a todos um feliz dia de S. Martinho!

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Luz ao fundo do túnel ou nem por isso?


Acerca da 1ª Reunião da ministra Isabel Alçada com os Sindicatos de Professores, João Dias da Silva da FNE refere que "começou hoje o princípio do fim do modelo de avaliação de desempenho e da divisão da carreira em duas categorias".

Também para Mário Nogueira, dirigente da FENPROF há sinais positivos de alguma abertura: “Saio da reunião com uma certeza, aquilo que os professores mais querem é a primeira coisa que vai acontecer: a revisão do Estatuto da Carreira Docente”, pelo que acredita ser possível um acordo firme antes do Natal. Veja o vídeo.

Por outro lado o Público de hoje noticiou que:

1. A APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino), pela voz do seu presidente Ricardo Silva considerou que “de palavras vagas e promessas de diálogo estão os professores fartos”, classificando como “inacreditável” a atitude de Isabel Alçada. “Os professores precisam de paz, de cicatrizar feridas, e isso exigia que tivesse assumido hoje mesmo o fim da divisão da carreira”, frisou, considerando que, “pelo contrário, a ministra deu um muito mau sinal ao fazer referência à formação dos avaliadores”. “Quem são estes avaliadores? Os titulares? Não aceitamos esta divisão, que foi feita com base num concurso injusto e indigno”.

2. CDS-PP entregou hoje no Parlamento três diplomas, dois deles de resolução, pedindo a suspensão do actual modelo de avaliação de professores e a alteração do Estatuto da Carreira Docente e pediu o seu agendamento urgente.

Quanto ao balanço possível sobre a ADD deste ciclo avaliativo, diz o ME que já foram avaliados cerca de 49.000 professores e em meados de Novembro, ainda faltam avaliar 90.000 ou quase 100.000 docentes.

A fazer fé nestes números (fornecidos pelo próprio ME), não me parece que se possa afirmar que este modelo tenha sido propriamente um sucesso…!

Problema no meu PC


O rato desapareceu e o teclado bloqueou...!

(Enviado por F. Paulos)

Depois de Berlim, há muitos mais muros para derrubar no Mundo


(Clique sobre a imagem para aumentar)

Wind of Change - Scorpions e Orquestra Filarmónica de Berlim

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Pink Floyd "The Wall" em Berlim há 20 anos



Espectáculo comemorativo do derrube do muro de Berlim.

Berlim em festa - 20 anos após a queda do Muro






















O Muro de Berlim foi derrubado há 20 anos - post actualizado

Após décadas de isolamento pelo chamado Bloco de Leste, a população residente em Berlim viu há 20 anos (a 9 de Novembro de 1989) começar a ser derrubado o muro que dividia as duas Alemanhas (República Federal Alemã e República Democrática Alemã) e, simbolicamente, as duas partes da Europa, a Ocidental e a Oriental, esta última dominada pelo regime soviético.

O muro começou a ser construído de madrugada a 13 de Agosto de 1961, em plena “Guerra-Fria”. Era feito de betão e ferro, com três metros de altura, era electrificado e tinha à sua volta uma área de protecção minada na qual ninguém podia aventurar-se, sob pena de morrer electrocutado ou mesmo explodir. Como reforço, ainda havia vigias com guardas armados de metralhadoras, 24 horas por dia, para garantir que ninguém se aventuraria a tentar passar clandestinamente para o lado Ocidental.

Nas enciclopédias refere-se como números relativos ao muro: "66,5 Km de comprimento, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda".

Esta barreira visava separar os habitantes da parte federal que viviam em Berlim, como se a cidade fosse um enclave da RFA dentro da RDA, sendo proibidas quaisquer migrações ou deslocações não autorizadas. Mesmo assim, ao longo dos 28 anos da existência do Muro, morreram muitas pessoas que o tentaram em vão ultrapassar. As mortes eram sempre consideradas meros “acidentes fronteiriços” e os seus números foram sempre escamoteados.

Segundo os registos existentes as tentativas de pular o muro provocaram a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas. A tentativa de fuga era considerada crime de deserção da RDA e punida com até dois anos de prisão.

As alterações introduzidas por Mikail Gorbachov com a Perestroyka acabaram por dar origem à queda do regime comunista com a extinção da União Soviética e ao consequente desmembramento do Bloco de Leste de influência estalinista.

Os cidadãos das duas partes de Berlim viram com enorme júbilo cair o muro há 20 anos, tendo participado activamente na sua demolição. Contudo a população de ambos os lados da cidade fez questão de que se conservassem alguns troços do muro para que o mundo e a História mantivesse viva a memória dos anos da repressão.

O que resta do muro é hoje um painel de 1,3 Km cheio de pinturas murais e graffiti, conhecido como East Side Gallery, expressivos do sentir dos anseios de liberdade que se fizeram sentir sob a forma de arte.
Permanecem também algumas das vigias de tipo idêntico às dos campos de concentração.

Já começaram em Berlim grandes festejos, como por exemplo um concerto dos U2 no dia 5de Novembro junto à porta de Brandenburgo com a distribuição de 10 mil entradas gratuitas e no dia 9 actuará Bom Jovi.

O momento histórico do derrube do muro há 20 anos foi comemorado com um concerto de Michael Jackson e outro dos Pink Floyd "The Wall", a 21 de Julho de 1990 neste mesmo local.

Hoje terá ainda lugar um espectáculo cerimonial em que o muro, reconstituído com placas pintadas pelos alunos das escolas de Berlim, vai ser de novo simbolicamente derrubado com um efeito de dominó às 11:30 e um grande fogo de artifício.


Imagens:
A Instalação da artista coreana Eun Sook Lee junto à Porta de Brandenburgo;
O dia do derrube do muro a 9 de Novembro de 1989 e os graffiti.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Conferências sobre Filosofia e Epistemologia


Clique sobre a imagem para aumentar.

Sininho Embaixadora da ONU


Tinkerbell, mais conhecida como Fada Sininho foi desde sempre das minhas personagens preferidas das criações Walt Disney.

Enquanto o meu irmão se rebolava de riso com as peripécias dos irmãos Metralha ou os mergulhos num tanque cheio de moedas do Tio Patinhas, eu maravilhava-me com o mundo encantado de Peter Pan e a fada Sininho.

Acabo de saber da estreia de um filme desta série chamado "Tinkerbell and the lost treasure", que espero ver em versão original e ecran gigante.

O filme foi objecto da atenção da Organização das Nações Unidas em virtude de a simpática fadinha ser defensora acérrima das florestas e protectora do ambiente.
Neste sentido, a estreia mundial do filme foi nas suas instalações, tendo a pequena Tinkerbell sido nomeada "Embaixadora Honorária Verde".

Já consta por aí que Ideafix, o cãozinho de Obélix, poderá ser o Embaixador que se segue, já que habitualmente se põe a uivar assim que vê alguém a atacar uma árvore.

Também Sininho e Peter Pan andam nas florestas encantadas protegendo as árvores, as flores, os rios e o ambiente, sempre vestidos de verde.

Parece-me que, como estratégia de motivação para os mais novos a respeito da necessidade de preservação ambiental, pode ser uma ideia bastante interessante e ter alguma eficácia a médio prazo.

Não estranhem se um dia destes me virem de minissaia verde falando com as árvores ou com os passarinhos... à procura de um dos muitos Peter Pans que por aí há!

8 de Novembro de 2008 - em memória da força e da esperança


Este documento tem um ano e é da autoria da Carmela, professora e poeta, de quem me orgulho de ter a colaboração eventual neste Blogue.

8 de Novembro de 2008 - eram muitos mil







sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

A indisciplina nas escolas vista pelo filósofo Fernando Savater



Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam que o aumento da violência escolar se deve, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.

Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.

Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.


(Recebido por e-mail)

Café Philo


Um professor, em plena aula de Filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande de mayonaise, esvaziou-o e encheu-o com bolas de golf.

A seguir perguntou aos alunos:

-O frasco está cheio?

Os estudantes responderam que sim.

Então o professor pegou em caricas e meteu-as no frasco de mayonaise.
As caricas encheram os espaços entre as bolas de golf.

O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a dizer que sim.

Então...o professor pegou numa caixa com areia e esvaziou-a para dentro do frasco de mayonaise. Claro que a areia encheu todos os espaços vazios e uma vez mais o pofessor voltou a perguntar se o frasco estava cheio. Nesta ocasião os estudantes responderam em uníssono:

-"Sim !".

De seguida o professor acrescentou 2 taças de café ao frasco e claro que o café preencheu melhor os espaços vazios entre a areia. Os estudantes nesta ocasião começaram a rir-se...mas repararam que o professor estava sério e disse-lhes:

"QUERO QUE SE DÊEM CONTA DE QUE ESTE FRASCO REPRESENTA A VIDA:

As bolas de golf são as coisas Importantes: como a familia, a saúde, os amigos, tudo o que vos apaixona.

São coisas, que mesmo que percamos tudo o resto, as nossas vidas continuarão cheias.

As caricas são as outras coisas que importam como: o trabalho, a casa, a escola...

A areia é tudo o mais: as pequenas coisas.

Se primeiro pusermos a areia no frasco, não haverá espaço para as caricas nem para as bolas de golf.

O mesmo acontece com a vida.

Se gastarmos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes.

Prestem atenção às coisas que são cruciais para a vossa Felicidade.

Ocupem-se primeiro das bolas de golf, das coisas que realmente importam.

Estabeleçam as vossas prioridades, o resto é só areia..."

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representava o café.

O professor sorriu e disse:

"...o café é só para vos demonstrar, que não importa o quanto a vossa vida possa estar ocupada!...
Haverá sempre espaço para um café com um amigo."

Isabel Alçada quer remediar o irremediável


O Blogue de Octávio Gonçalves publicou um texto brilhante onde analisa com toda a lucidez os possíveis cenários que Isabel Alçada julga poder encontrar nas Escolas e a preocupação de não fazer demasiadas mexidas, possivelmente para não desagradar a quem se instalou na titularidade e nos Muito Bons conseguidos na Avaliação de Desempenho Docente durante o último ano lectivo.
Remeto para o seu Blogue a leitura do excelente post.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Cores de Outono 2















Fotos de Pérola de Cultura, Cascais

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Isabel Alçada vista por Santana Castilho


Uma Aventura

"Com Isabel Alçada e este pano de fundo, espera-nos uma aventura de curvas à direita e contra-curvas à esquerda.

Aqui me têm como sou, dizendo aos que têm a generosidade de me ler o que me vai na alma. Não sou hipócrita nem cultivo falsos respeitos. Se vejo claro o que aí vem, por que insípida postura me iria escudar em convenientes benefícios de dúvida? Qual benefício para quem afirmou, com sorriso de leste a oeste, à espera dos aplausos da plateia, dar o seu "inteiro apoio à política educativa que tem vindo a ser seguida" e considerar "que é importante a prossecução e aprofundamento do trabalho que tem vindo a ser realizado"?

Esta é a segunda referência escrita que faço à actual ministra da Educação. A anterior já me valeu três mimos: inconveniente, radical e extremista. Assim seja. Sou inconveniente para os dissimulados e radical para os que se especializaram em protelar. Aceito o extremismo. Mas mais extremistas que eu são os que atacaram extremamente os professores, a escola pública e o ensino sério. E esses vão continuar, enquanto não se lhes responder de forma extremamente resoluta.

De Isabel Alçada conheciam-se meia centena de livros de fantasias para crianças. Mas nenhuma ideia expressa sobre Educação, para adulto ler. Hoje já temos três discursos políticos, bem recentes, e um quadro de comunicação não verbal, que só escapa aos incautos. Tudo visto, são discursos que revelaram uma organização de ideias confrangedora, recheados dos clichés repetidos ad nauseam durante os últimos quatro anos, medíocres do ponto de vista da semântica e da construção frásica, onde os erros de concordância surpreendem.

Ficou-lhe mal elogiar tanto o seu Plano Nacional de Leitura. Esse e o da Matemática. Os planos nacionais são expedientes a que se recorre quando as primeiras instâncias falham e não se sabe corrigir o que está mal. Custam muito dinheiro, jogado em cima do que já existe para obter os mesmos resultados. No caso da leitura, o plano sucedeu a anos a menosprezar o ensino do Português, a substituir os clássicos por panfletos de cordel e a tornar a gramática para crianças numa charada de linguistas. No que toca à Matemática, entregou-se a concepção e a execução do plano aos que tinham sido apontados como responsáveis pela situação que o mesmo se propunha corrigir. Sem mais! Esta é a sinopse do verdadeiro contexto de elogios ocos.

Ficou-lhe mal dizer que o Magalhães e o plano tecnológico nos tinham colocado na primeira linha do desenvolvimento. São tiques de deslumbramento terceiro-mundista, sem credibilidade, que minam o desejável recato de qualquer começo. Ficou-lhe mal a alusão encomiástica às novas oportunidades e ao ensino profissional. Os professores sabem que, descontadas poucas situações de funcionamento sério, uma e outra iniciativa são farsas e manipulações grosseiras das pessoas e das instituições.

Ficou-lhe muito mal a protecção que deu à clausura das crianças na escola, de sol a sol, e a cobertura que não regateou à moderna escravização administrativa dos docentes. Foi-lhe desfavorável a versão, inverosímil, segundo a qual o convite e a aceitação surgiram momentos após a sua declaração pública em contrário e escassas horas antes do anúncio oficial. Aceitaram os que acreditam no Pai Natal. Numa palavra, fez o suficiente para que nenhum professor prudente acredite nela. Para início e em tão pouco tempo, pior seria difícil.

Não espanta que Isabel Alçada seja ministra sem anteriormente ter sentido necessidade de dizer o que pensa do sistema educativo. Sócrates pensará por ela. Lurdes Rodrigues já pensou por ela. Aliás, no fim da cerimónia de remodelação governamental, a agora ex-ministra foi profética quando sublinhou, repetidas vezes, com o cinismo que a caracteriza, a sua muita confiança no novo Governo. Os mais atentos sabem que tem razão, porque Isabel Alçada não tem identidade política. Melosa e sorridente, foi alistada para continuar a contar histórias, agora aos professores. Da política tratará Sócrates, Silva Pereira, Santos Silva e Francisco Assis.

Fala-se muito no poder da Assembleia da República para corrigir os erros de política educativa da anterior legislatura. Mas desvaloriza-se, nessa fé, a circunstância de Sócrates não os reconhecer. Desvaloriza-se, nessa compreensível ânsia de sacudir um jugo de quatro anos, que uma coisa é a cavalgada fácil do descontentamento generalizado, para colher votos, outra é entender a importância estratégica da Educação. Como tal, a realidade mostra que os partidos, todos os partidos, a ignoram.

Imediatamente após ter sido indigitado primeiro-ministro, Sócrates assumiu, para espanto dos sensatos, que tanto lhe dava uma coligação com o PSD, como com o PCP, CDS ou BE. Revelou assim, sem delongas, a ideologia do PS que lidera e a manhosice que porá na navegação táctica que se segue. Na peugada, aliás, recordo-o para os de memória curta, de Soares e Guterres: o primeiro meteu rapidamente o socialismo na gaveta, para governar com o CDS; o segundo trocou sem rebuços a coerência política por umas fatias de queijo Limiano.

Com este pano de fundo, espera-nos uma aventura de curvas à direita e contra-curvas à esquerda. No primeiro cruzamento, podemos ser surpreendidos por um paradoxo: para suspender tacticamente um modelo de desempenho que já não existe, reforçaremos estrategicamente um poder que se instala sob a nossa ingenuidade. Não me entendem? Estejam atentos aos próximos capítulos!"


Santana Castilho, Professor do Ensino Superior
Fonte: Público de 28/10/09

(Enviado pelo colaborador O Que Não Sabe Pensar)

Cartoon de Antero Valério em Anterozóide.

Claude Lévi-Strauss morre aos 100 anos


O antropólogo, etnólogo e ensaísta francês morreu ontem com 100 anos, tendo deixado um obra notável, da qual vários títulos marcaram de forma indelével a minha formação universitária.

No Público a notícia completa.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Quem inventou a doença?


É difícil gerir a dor, mas também aceitar a inactividade como algo que é, não só imposto, como vital para a recuperação.
Não há dúvida de que parece que é sempre quando há mais compromissos aos quais dar resposta que sobrevêm estas paragens forçadas, como se fossem estações de combóio vazias, onde ninguém quer descer!
Quase apetece dar razão a Saramago quando fala num Deus cruel e vingativo...

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

O Dia da Saia




"Protagonizado por Isabelle Adjani, O Dia da Saia é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, vítima de descontrolo emocional causado pelo stress incutido pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, à falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria. Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas portuguesas, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.

Um filme que aborda de uma forma provocativa, de tão realista, os problemas que os professores enfrentam no seu dia-a-dia na formação das nossas gerações futuras."


Nos cinemas a 15 de Outubro.

(Enviado pelo nosso colaborador Woody Woodpecker)

Duetos de respeito 4



Ao amigo Miguel Loureiro com um abraço de parabéns pelo seu aniversário!

domingo, 1 de Novembro de 2009

Entre bruxas e finados...




...espero que esta noite tenha um fim, entre o barulho ensurdecedor das crianças, umas mais novas que outras a cultivar a irreverência que toca as raias da má educação e falta de civilidade.

Encapuçadas convenientemente para a festa das bruxas, made in USA e, como tudo o que é ruim, rapidamente importada para os lusos costumes, podem os diabinhos esmurrar portas e janelas, gritar como condenados nas ruas e nos prédios, a horas impróprias, sem que os respectivos progenitores façam disso caso algum.

Porém, ao raiar da aurora será a manhã do dia de finados, em que vamos chamar os mortos do seu descanso para, aliviando as nossas culpas, nos apegarmos às tantas vezes fingidas saudades daqueles que já partiram.

Terrível fim-de-semana este, onde o desassossego das almas oscila entre o corrupio aos cemitérios e o consumismo da festa profana do Halloween!

sábado, 31 de Outubro de 2009

"Foi porreira a nossa festa, pá!"



Uma reunião blogosférica teve lugar ontem em Lisboa, juntando 35 pessoas de vários quadrantes.

Os petiscos foram só o pretexto para nos encontrarmos e as personalidades virtuais se cruzarem face a face trocando pontos de convergência e afinidades várias.

O anfitrião desta vez foi o Kaos, que abriu os convites a todos os que quisessem inscrever-se.

Este foi o 6º jantar blogosférico da 2ª série e juntou pessoas de Coimbra até Beja.

Um dos presentes, o Tacci, editor do Blogue Portugal, caramba!, fez o desenho que aqui se reproduz e que ilustra o seu post "Foi porreira a nossa festa, pá!".


Museu Paula Rego 2










Na sequência do que disse aqui, lembro que vale a pena a deslocação à bela vila de Cascais para visitar esta "Casa das Histórias de Paula Rego", onde se pode contemplar as várias fases da vida da pintora.

A entrada é gratuita e ainda se pode saborear os raios de sol do fim da tarde na esplanada da cafetaria rodeada pelo magnífico jardim.


Pintura de Paula Rego "Branca de Neve-maçã envenenada"

Fotos de Pérola de Cultura na Casa das Histórias de Paula Rego, Cascais